quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Campanha da Fraternidade 2012.


Campanha da Fraternidade 2012


Desde 1964, cada ano, durante a Quaresma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil apresenta a Campanha da Fraternidade. Durante esses 48 anos podemos dividir as CFs em três fases. Na primeira fase (1964 – 1972) houve uma busca da renovação interna da Igreja. Na segunda fase (1973 – 1984) a Igreja Católica preocupou-se com a realidade social do povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça. Na terceira fase (1985 – 2012) a Igreja voltou-se para situações existenciais do povo brasileiro. Normalmente não sabemos os nomes dos autores das Campanhas da Fraternidade, mas devido a importância do tema para 2012 o Texto-base apresenta os onze nomes dos componentes do Grupo de Trabalho que elaborou a CF de 2012. Cada Campanha da Fraternidade tem um Tema e um Lema. A Campanha para o ano 2012 tem como Tema: "A Fraternidade e a Saúde Pública" e como Lema: "Que a saúde se difunda sobre a terra" (cf. Eclo 38,8)

O Objetivo Geral da Campanha da Fraternidade de 2012 é: "Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção dos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde" (p. 12 do Texto-Base). Além do objetivo geral a Campanha da Fraternidade para 2012 apresenta seis objetivos específicos. Estes são: "a) Disseminar o conceito de bem vier e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável; b) Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade; c) Alertar para a importância da organização da pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe; d) Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos sócio-culturais de nossa sociedade; e) despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento; e f) Qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde" (cf. p. 12 do Texto-Base da CF).

O texto base é dividido em três partes e uma conclusão olhando para o futuro. A primeira parte é titulada "Fraternidade e a Saúde Pública" e oferece um panorama atual da Saúde no Brasil. A primeira parte do Texto-Base afirma que os temas da saúde e da doença exigem uma abordagem ampla e sugere a proposta apresentada pelo "Guia para a Pastoral da Saúde", elaborada pela Conferência Episcopal Latino-Americano (CELAM). O GPS depois de dizer que a saúde é afirmação da vida e um direito fundamental que os Estados são obrigados a garantir, o referido documento define saúde assim: "Saúde é um processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual, e não apenas a ausência de doença, processo que capacita o ser humano a cumprir a missão que Deus lhe destinou, de acordo com a etapa e a condição de vida em que se encontre" (cf. p.15 do Texto-Base e Guia para a Pastoral da Saúde na América Latina e no Caribe, CELAM, Centro Universitário São Camilo, São Paulo, 2010, ns 6-7). A primeira parte do Texto-Base também nos brinde com algumas tabelas e quadros interessantes mostrando: o melhoramento da taxa de mortalidade infantil nos últimos anos, o crescimento da população idosa, percentual de partos cesáreos, dados sobre obesidade, hipertensão arterial que atinge 44.7 milhões de pessoas, estimativas para várias formas de câncer e a evolução da freqüência de consumo abusivo de bebida alcoólico etc. (cf. Texto-Base: ps. 21, 23, 24, 31, 33, 35 e 43).

A segunda parte é titulada "Que a Saúde se Difunda Sobre a Terra". Aborda doença no Antigo e Novo Testamento. Aborda Jesus curando os doentes. Diz o Evangelho: "Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo" (cf. Mt 4, 23). O Texto apresenta a parábola do bom samaritano como paradigma de cuidado. Trata também do " horizonte humano e teológico do sofrimento" e os enfermos no seio da Igreja. Há também uma referência a Unção dos Enfermos, o sacramento da cura.

A terceira parte ofereça "Indicações para a Ação Transformadora no Mundo da Saúde". Analisa a atual Pastoral da Saúde da Igreja e o papel dos agentes da mesma. Uma área importante encontrada na terceira parte do texto aborda a dignidade de viver e morrer. Trata com clareza de problemas como: eutanásia, distanásia e ortotanásia. Cite o Código de Ética Médica de 17 de setembro de 2009 e o pronunciamento do Santo Padre Bento XVl sobre estes assuntos. Além das propostas de ação da Igreja Católica na área de saúde, esta parte ofereça também "Propostas Gerais para SUS".

A Conclusão mostra como, ao longo dos últimos anos, houve mudança no conceito de saúde: de 'caridade' para 'direito', e lamenta que esse direito está sendo "transformado em negócio" num mercado sem coração. Afirma também que no âmbito da saúde, faz-se necessário aprofundar e colocar em prática a chamada "bioética dos 4 Ps": Promoção da saúde, Prevenção de doenças; Proteção das vulneráveis presas fáceis de manipulação e Precaução frente ao desenvolvimento biotecnológico. O texto base termina com três anexos importantes: (i) A relevante trecho da Constituição Federal: a saúde como direito de todos e dever do Estado; (ii) O Serviço de preparação e animação da Campanha da Fraternidade; e (iii) O Gesto Concreto de fraternidade, partilha e solidariedade feito em âmbito nacional. O Texto-Base termina com uma rica bibliografia.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


09/03 – INÍCIO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE
 “FRATERNIDADE E VIDA NO PLANETA”
A cada ano a Igreja Católica no Brasil promove a Campanha da Fraternidade. Como o próprio nome diz, é uma campanha, um mutirão de reflexões e ações em prol da vida. E, neste ano, todos nós cristãos somos convidados a refletir e agir sobre a vida no planeta, tendo como lema:A Criação geme em dores de parto (Rm 8,22). Estamos diante de um momento crítico na historia da Terra, somos convidados a escolher nosso futuro. Como a família humana, devemos somar forças para gerar uma sociedade que seja sustentável, baseada no respeito pela natureza, aos direitos humanos, promovendo uma justiça econômica e construindo uma cultura de paz. Convertamos nosso coração.


O CONSUMO E O LIXO
Devemos pensar nossa vida no planeta Terra sempre numa perspectiva de geração. O que legaremos às gerações futuras? Um pesado ônus que transferimos para as gerações futuras é o excessivo lixo que produzimos. Toneladas de lixo e de dejetos produzidos por nós, na melhor das hipóteses, levarão décadas para serem recicladas, sem mencionar os milênios do lixo atômico. Uma sociedade que está posta sobre o dogma do consumo não é uma sociedade solidária. Essa lógica de depredação que destrói e deteriora a vida no planeta não pode continuar. Nossas mais diversas comunidades eclesiais devem expandir em todas as direções o grito da criação que geme em dores de parto.


A QUESTÃO ECONÔMICA
Uma questão importante quando nos referimos à Fraternidade e a vida no planeta é a questão econômica. Que economia se faz necessária para que a espécie humana tenha os direitos elementares tais como: alimentação, saúde, educação, trabalho, moradia? Direitos estes que, por serem fundamentais, se tornam indispensáveis para que cada ser humano tenha as condições mínimas para viver com dignidade Precisamos construir uma economia mais democrática e solidária que propicie o surgimento de um mundo onde todos tenham vida. Hoje a economia gera uma exclusão de 2/3 da população do planeta. Não só os seres humanos, mas também o planeta Terra, estão à mercê de uma economia neoliberal.


À LUZ DAS ESCRITURAS.
A Palavra de Deus tem muito a nos ensinar sobre o cuidado que devemos desenvolver sobre toda a Criação. A consciência do cuidado já fazia parte da vida nos textos de nossa tradição de fé, quando, por exemplo, segundo a legislação do Antigo Testamento, os dias e anos sabáticos deviam valer também para os animais e para a própria terra. O texto de Lv 25-26 prescreve o “sábado da terra”; e os textos de Ex 23 e de Lv 25 recomendam que, durante o ano sabático, se deixe a terra sem cultivar para propiciar o direito da colheita aos pobres e para que a própria terra descanse de sua fadiga. Que a Palavra de Deus ilumine nossas mentes para o cuidado de toda a Criação.




CUIDAR DEPENDE DE TODOS.
Sabemos que o empenho para o cuidado na vida do planeta não depende somente de nós cristãos, mas devemos juntar nossa tradição com outras tradições e desenvolvermos uma nova maneira de habitar a Terra. A mesma lógica que empobrece e exclui 2/3 da humanidade é também a que está deteriorando a vida no planeta. A continuar desta forma, estaremos todos num mesmo barco à deriva. Sem ser catastrófico, mas é a própria realidade que fala e grita por mudanças. Precisamos mudar, gerar novas praticas, novo olhar sobre a vida. Numa rede universal devemos dizer um “não” a esta lógica depredatória. Construindo uma economia solidária, um consumo consciente, uma vida mais simples.


A CARTA DA TERRA.
Diz a Carta da Terra, em seus valores e princípios básicos para um futuro sustentável, no principio primeiro: “Respeitar a terra e a vida em toda sua diversidade”. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente do uso humano. Por trás deste pensamento percebemos que tudo que existe tem valor em si mesmo, independente da utilização que fazemos. Por isso, não temos o direito de simplesmente tomar as coisas a nosso bel-prazer, mas, antes, desenvolver uma ética que respeita o outro como um dom, graça, e não porque nos é útil. Herdeiros que somos dos valores cristãos este principio deveria nortear nosso pensar e agir. Que esta Campanha da Fraternidade produza bons frutos e que nos aponte como viver bem em nosso planeta.


PARA AGIR.
Aqui veremos algumas sugestões que cada um de nós já pode começar para amenizar o sofrimento da natureza.
Reduzir o consumo. Economizar água. Fazer cisternas e reutilizar a água. Só a água usada em pia de cozinha e vasos sanitários deve ir para o esgoto. Por exemplo: A água que lavamos roupa podemos reutilizá-la para lavar as calçadas, etc...
Quanto à energia: usar lâmpadas fluorescentes; chuveiro híbrido solar- elétrico  é o mais econômico. Evitar o uso individual do carro; comprar no próprio bairro. Separar o lixo. Não jogar óleo na rede de esgotos. Usar papel reciclado e sacolas ecológicas. Evitar plásticos. Limpar os rios. Refazer matas ciliares. Plantar árvores. Criar hortas. Não cortar pequenas árvores.Respeitar as encostas, beiras de rios. Não construir em locais onde há perigo de agressão ao meio ambiente, os agricultores podem controlar o uso de agrotóxicos partindo para uma agricultura mais orgânica, e outras coisas mais que podemos fazer em defesa do planeta.